El Condor Pasa
29 Janeiro 2006
(primeira parte)
Maypin kanki wawqeykuna, qapaq pachamama
Mayakuna, Inkakuna, pikuna manan kaypiñachu.
0.1233
Esgaza agarrou-o porque pensava ser puto Coca-Cola, mas não era: pálido ultra, cor zero, a não ser olhos vermelhiraiados. Dedos a agitar o ar, pernas espasmáticas. Forma de falar, mas eu não entendia.
Esgaza diz: M’rda, é um puto avatar.
Eu: Tamos em cagada, Andrak vai não-gostar.
Esgaza aguenta-se pouco em nervosos. Balbucia. Bebé chorão. Um dia leva com petardo. Meu se não primeiro de qualqueroutrém inimigo. Sacudo mais a ele que ao puto.
Eu: nossa missão? Dar cabo dos Coca-Cola. Pensávamos Coca-Cola este. Engano humano ser.
Esgaza: ele olhagrava-nos. Sabes tipo d’olhos que tem.
Eu: conta não, nem pouco maisoumenos.
Guinchou porcinamente ao queimarmos olhos dele. Foi ultrassom guincho, para orientação. Olhos que não vêm mas gravam: boca que não fala mas vê. Ficou a bater em paredes, no quarto fechado, guinchos para lá e cá e acolá como se inacreditando no momento.
Eu, pensando lesto: putos avatares têm riqueza às vezes.
Esgaza seguiu gesto para lábaixo. Sorriu. Cortámos-lhe tomates, talvez senhor proteger queira riqueza própria, ou adversário compre genes secretos dele. Trocos quasicertos – senhores gostam lançar putos em mundo, fazer proles bastardas. Depois cabeça dele foi chão com força, Esgaza bom nisso. Botas dele boas. Puto estremeceu pernis, depois quedo.
Andrak ia não-gostar mas, situação agora calada, podia talvez-aceitar.
0.52323
Andrak impercebeu: Esta unidade não comete enganos desta natureza! Não chamamos a ira dos senhores sem um contrato na mão! Sem um contrato na mão, não temos seguro. Não temos protecção política. Temos todos os senhores contra nós. Entendem? Soldado 34A, tem a obrigação de avaliar antes de disparar. E o soldado 23B – olha mim – tem o dever de controlar.
Quedo fico. Falar inresulta. Andrak razão-plena. Esgaza frágil em nervosos. Há fazer melhoras. Agendo acção mais tardiamente. Agora: Andrak fala, razão-plena, também culpamento-me. Quedo estóico palestra toda. Andrak acalma-parece.
Andrak fala: E a razão porque não há falhar é porque não somos mais Comandos Corporativos menores. Estamos na boca do mundo. Quem interessa conhece-nos e fala de nós. E digo com orgulho que somos os melhores. Hoje, homens, temos finalmente uma missão digna do nosso valor.
Fico orelhistico. Ficamos. Ansiosos, outrostodos atentam às verbinovas.
Andrak mostra mapa de país. Peru no forno: nosso nome pró que resta Perú pós megaterremoto. Lima debaixo d’água, ainda a secar. Vale desértico ficou lago ou poça grande. Refugiados e presos e laboratórios experimentais e centros armas radicais e mais m’rda ali em meio a zona inrefeita. Ninho ratazanas grandesigordas, pois, esquecido mundo. Catástrofe década que foi. Nosso novo destino?
Andrak: Este é o nosso destino. A Montanha Habitada – imagem roda-que-roda, cai, aumenta, entranhas do Perú, montanha junto ao mar, casulos que apartamentos e outros habitáculos, muita guarda -, que para quem tem estado a dormir nos ultimos dez anos é o maior centro habitacional do mundo, um ninho de ratazanas bioterroristas, carteis de droga e megacomplots políticos. Como podem imaginar está recheada de protecção de primeira, tecnologia de guerra que ainda nem foi aprovada pelas forças militares do planeta, mercenários caídos em desgraça e que não têm nada a perder, forças de elite lideradas por antigos membros do Sendero Luminoso treinadas nos campos de Las Palmas, e uma legião de desterrados das zonas baixas que preferem perder a vida a voltar para casa. Nunca uma força organizada conseguiu penetrar nestas defesas, ou se entrou, não terá conseguido sair. Um desafio à altura de uma equipa como a nossa.
Entreolhares. Sentidos mais que feitos. Disciplina não permite. Mas sei quepensam.
(continua no próximo domingo, 5 Fev)



